Diagnóstico e Saúde

15-Outubro-2015 Hora 10:00   Como manter a qualidade da água

 

 

Nos laboratórios, o controle de qualidade da água é fundamental. Utilizada como reagente químico, ela deve conter uma quantidade mínima de contaminantes como íons, matéria orgânica e micro-organismos.

 

Para todos os processos de análises a água precisa ser purificada. E cada processo requer um nível de purificação. A variedade de pureza da água (de pura a ultrapura) está baseada nas suas aplicações, tais como preparação de tampões, cultura de células, cromatografia, biologia molecular, histologia, HPLC, análise de TOC, preparação de reagentes e fotometria.

 

Nos laboratórios de análises é fundamental o fornecimento de água em conformidade com as normas de qualidade para obter testes de diagnóstico com resultados precisos e reprodutíveis.

 

Os contaminantes da água são representados por dois grandes grupos: químico e microbiológico. Em relação à contaminação microbiana da água ultrapura, eles são representados principalmente por bactérias, sendo originários da própria microbiota da fonte da água e também dos equipamentos de purificação. A contaminação também pode ocorrer devido a procedimentos inadequados de limpeza e sanitização, o que contribui para o surgimento dos biofilmes. Os contaminantes mais comuns são dos gêneros Alcaligenes, Pseudomonas, Escherichia, Fluobacterium, Klebsiella, Enterobacter, Aeromonas e Acinetobacter.

 

A água contaminada com contaminantes químicos e/ou microbiológicos tem impacto direto na qualidade dos resultados analíticos, visto que a contaminação resulta na alteração da qualidade dos reagentes utilizados.

 

Os resultados laboratoriais de qualidade dependem da confiabilidade da instrumentação e da qualidade da água. Fatores analíticos precisam ser controlados e otimizados para reduzir o número de possíveis falhas que possam se refletir nos resultados. Além disso, a água é um reagente muito suscetível a contaminações mesmo após a etapa de purificação.

 

Existem purificadores que transformam a água potável em água reagente. Mas não basta comprar o aparelho e instalá-lo para ter essa garantia. É preciso verificar se a água recebida da rede de abastecimento é de boa qualidade.

 

O cloro excessivo na rede pode passar pelo filtro de carvão, danificar o equipamento e chegar à água, oxidando os reagentes e prejudicando os resultados dos exames.

 

A água pode interferir nas análises dependendo da substância que estiver presente nela. Uma alta concentração de cloro acima do permitido pode interferir, por exemplo, na determinação de cloretos, bacteriologia e enzimologia; traços de metais podem inibir ou acelerar reações enzimáticas. O nível tolerável de substâncias presentes na água irá depender do processo para o qual a água será utilizada.

 

No Laboratório Médico Dra. Tânia duas vezes ao dia analisa-se a resistividade. Esse controle é feito internamente antes do uso da água reagente por meio de um resistivímetro e/ou condutivímetro. O controle microbiológico é feito mensalmente em laboratório especializado.

 

Tipos de Água Reagente

 

Tipo 1 - ideal para laboratórios, muito limpa do ponto de vista microbiológico e físico-químico, quase livre de sais.

 

Tipo 2 - usada para preparar meios de cultura, necessita ser esterilizada após o uso. É uma água pura do ponto de vista microbiológico e tolera alguma concentração de sais.

 

Tipo 3 - menos pura, com pouca utilidade em laboratórios.

 

Tipo Especial - extremamente pura, é utilizada em cromatografia (HPLC)

 

Principais contaminantes

Os especialistas da divisão de produtos para laboratório da Thermo Scientific, Daniel Freitas e Jorge Nascimento, concordam que a qualidade da água utilizada em laboratórios está diretamente relacionada com o desempenho de técnicas analíticas que podem conduzir o sucesso de uma pesquisa ou culminar em informações inconsistentes com resultados não confiáveis.

 

A escolha da tecnologia correta, para remoção de impurezas que realmente podem afetar a análise e mudar todo o resultado do estudo, é o ponto crucial deste ciclo, e define uma grande etapa da pesquisa que inicialmente parece ser fácil, porém se não for bem direcionada, pode ocasionar transtornos.

 

A água ultrapura tem por sua característica intrínseca a remoção de íons, ou seja, quando se fala no termo ultrapuro, a primeira ideia que nos remete é a ausência de íons, ou remoção de sua grande parte, para que a água alcance uma resistência de 18.2mΩ.

 

Neste ponto cabe uma pergunta simples: toda água ultrapura é suscetível à minha aplicação? “A resposta é não, ou seja, existem inúmeras aplicações onde a água ultrapura é utilizada, como cromatografia iônica, absorção atômica, cultivo celular, PCR etc”, explicam. Porém, todas estas técnicas exigem diferentes conjugações de filtros e membranas, que devem remover contaminantes que vão além dos íons. Assim, para cada tipo de aplicação existe um tipo de água ideal para ser utilizado, e isto deve ser definido inicialmente.

 

Eles esclarecem ainda que os tipos de contaminantes encontrados na água e que devem ser removidos por tecnologias de purificação vão além de íons.

 

São eles:

Partículas suspensas: areia, limo, argila e outras partículas suspensas turvam a água. Essas partículas interferem na operação do instrumento, válvulas e outros itens, estreitando os fluxos de vazão e danificando as membranas de osmose reversa. Em geral, elas variam de 1 – 10 µm de tamanho.

 

Coloides: em geral, os coloides têm uma carga ligeiramente negativa; variam de tamanho de 0,01 – 1,0 µm e podem ser orgânicos ou inorgânicos. Diferentemente das partículas suspensas, os coloides não são sedimentados pela gravidade, mas permanecem suspensos no líquido que os transporta. Os coloides entopem filtros, interferem na operação do instrumento, danificam as membranas de osmose reversa e podem desviar das resinas de troca iônica, resultando em menor resistividade nos sistemas de água deionizada.

 

Íons: impurezas como silicatos, cloretos, fluoretos, bicarbonatos, sulfatos, fosfatos, nitratos e compostos ferrosos estão presentes como cátions (íons de carga positiva) e ânions (íons de carga negativa). A água com uma alta concentração de íons conduzirá eletricidade prontamente e terá alta condutividade e baixa resistividade, pois a condutividade e a resistividade são inversamente proporcionais. Os íons afetarão adversamente os resultados de análises inorgânicas, como IC, AA, ICP/MS, e podem atrasar o crescimento celular e tecidual na pesquisa biológica. Eles também podem afetar a duração do cartucho nos sistemas de água deionizada.

 

Íons dissolvidos: sólidos orgânicos estão presentes na água devido à decomposição de plantas e animais e da atividade humana. Eles podem incluir proteínas, alcoóis, cloraminas e resíduos de pesticidas, herbicidas e detergentes. Eles danificam as resinas de troca de íons e interferem nas análises orgânicas, incluindo HPLC, cromatografia a gás e fluoroscopia. Eles também podem impedir a eletroforese e a cultura tecidual e celular.

 

Controle externo da condutividade: outro importante parâmetro levado em consideração para águas ultrapuras é a condutividade, que deve ser determinada de acordo com a tecnologia de purificação utilizada. A condutividade elétrica é uma propriedade inerente à maioria dos materiais e para esse tipo de água deve ser medida com uma célula de fluxo adequada, que permite a medição em linha.

 

Processos de purificação

Para remover as impurezas é necessário recorrer a uma combinação de tecnologias de purificação. Um dos sistemas mais utilizados para isso é o de osmose reversa, baseado na utilização de membranas semipermeáveis e com propriedades especiais de remoção de íons, microrganismos e endotoxinas bacterianas, removendo de 90% a 99% da maioria dos contaminantes.

 

Outra técnica importante é a remoção do dióxido de carbono em água purificada. O CO2 interfere na resistividade da água purificada devido ao equilíbrio com o ácido carbônico (H2CO3), quando dissolvido em água, atuando diretamente no pH, deixando o meio mais ácido. Esse contaminante não é retirado por meio da Osmose Reversa.

 

Para tal, é necessária uma técnica específica: a degasseificação. A presença desse gás pode afetar diretamente os resultados das análises, principalmente em analisadores clínicos cada vez mais sensíveis, além de reduzir a vida útil da resina de deionização.

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