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9-Marco-2019 Hora 08:09   Combate ao Câncer de Pulmão avança com novos recursos terapêuticos


 

 

Aprovação da imunoterapia para mais subtipos do câncer e a indicação de exame de imagem preventivo em população de alto risco melhoram a eficácia do tratamento

 

O câncer de pulmão é silencioso e geralmente apresenta os primeiros sintomas quando a doença já está avançada – alguns sinais são tosse persistente, escarro com sangue, rouquidão, falta de ar, perda de peso e de apetite, pneumonia recorrente ou bronquite e cansaço.

 

A estimativa do Instituto Nacional do Câncer (INCA) para este ano é de 30 mil novos casos entre os brasileiros.

 

“O mais comum deles, chamado de não pequenas células, corresponde a 85% das incidências”, diz Fernando Santini, médico titular do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Para tornar o diagnóstico mais preciso e aumentar a sobrevida dos pacientes, os especialistas têm à disposição novas estratégias que permitem abordagem da doença de forma cada vez mais individualizada.

 

Imunoterapia

Tratamento com medicamentos na veia que estimula o sistema de defesa do organismo a agir contra as células cancerosas de uma maneira mais eficaz e pode ou não ser combinado a outras terapias (como quimioterapia e radioterapia). Com ele, o índice de sobrevida mediana passou de oito para trinta meses e, quando a imunoterapia é associada à quimioterapia em casos de câncer de pulmão de não pequenas células, o número de sobreviventes cresceu em 20%.

 

Outro ponto positivo dessa abordagem é em relação às reações ao medicamento. Na imunoterapia, são mais comuns relatos de cansaço, vermelhidão na pele e desenvolvimento de doenças autoimunes enquanto a quimioterapia geralmente é marcada pela queda de cabelo, náusea e enjoo fortes.

 

Segundo Fernando Santini, apenas 5% dos pacientes apresentam efeitos colaterais graves, mas que melhoram rapidamente com o uso de corticoides

 

No último mês, a Anvisa liberou a imunoterapia associada à quimioterapia para tratamento em primeira linha em um subtipo da doença de difícil tratamento, o carcinoma escamoso, que corresponde a cerca de 30% dos casos.

 

A imunoterapia ainda não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), mas alguns convênios já cobrem o tratamento, principalmente quando o paciente apresenta um marcador da doença (a proteína PD-L1) em número igual a ou maior que 50% das células.

 

O que há de novo na detecção?

 

Tomografia computadorizada com rastreamento de baixa dosagem

 

O exame é capaz de descobrir nódulos bem pequenos, que podem se transformar em tumores malignos.

 

Apesar de não existir no Brasil políticas que incentivem o rastreamento do câncer de pulmão (como acontece com o de mama e de próstata), a recomendação é que o grupo de risco – pessoas entre 50 e 70 anos que apresentam carga tabágica (exposição ao tabagismo) maior ou igual a 30 maços ano (para calcular, multiplique o número de maços por dia pelos anos que fumou) – é realizar o exame anualmente.

 

Números do câncer de pulmão

É o câncer mais letal no mundo e no Brasil, matando cerca de 26 mil pessoas por ano

 

Os grupos e subtipos da doença mais comuns são:

1. Não pequenas células

Corresponde a 85% dos casos e se divide em adenocarcinoma e carcinoma escamoso

2. pequenas células

Corresponde a 15% das ocorrências. Pacientes de ambos os grupos podem se beneficiar com a imunoterapia.

 

E apresentam quatro estadiamentos:

I e II

Nódulos podem ser retirados com cirurgia

III

Além de apresentar nódulos localizados, o tumor pode se espalhar para linfonodos entre o pulmão e o coração

IV

Apresenta metástase em outros órgãos (85% dos diagnósticos acontecem nessa fase)

 

8 em cada 10 pessoas com câncer de pulmão apresentam diagnóstico avançado – a imunoterapia é indicada nesses casos, mas há estudos para testar a eficácia do tratamento em fases iniciais.

 

Tabagismo x câncer de pulmão

 

A relação entre o cigarro e o câncer de pulmão é íntima:

90% dos casos diagnosticados carregam em sua origem o hábito de fumar.

 

No Brasil, cerca de 12% dos homens e 8% das mulheres são fumantes – condição que eleva em 20 vezes o risco de desenvolver a doença.

 

O cigarro é a principal causa de morte devido a câncer no mundo e no País.

 

O Brasil ocupa a 8ª posição no ranking global em número absoluto de fumantes.

 

Os especialistas são unânimes em afirmar que o mais indicado para evitar o aparecimento da doença é manter-se longe do tabagismo.

 

“Se o cigarro não existisse, o câncer de pulmão seria raro”, Pedro De Marchi, oncologista do Hospital de Amor, em Barretos (SP).

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