Drª Tânia Laboratório Médico

27-Agosto-2018 Hora 11:39   Estudo pioneiro analisa a infecção por zika em pacientes com HIV controlado

 

 

Resultados do estudo mostraram que não houve alteração na carga viral e na contagem de linfócitos T-CD4.

 

Um estudo pioneiro desenvolvido no Instituto Nacional de Infectologia (INI/Fiocruz) com uma corte de pessoas vivendo com HIV mostrou que as manifestações clínicas e laboratoriais da infecção por zika nessa população são similares àquelas observadas em indivíduos com a mesma doença, mas com sorologia negativa para HIV. O trabalho, coordenado pelo médico infectologista Guilherme Calvet, do Laboratório de Pesquisa Clínica em Doenças Febris Agudas do Instituto, analisou 101 pessoas soropositivas para o HIV com suspeita de arboviroses (dengue, zika ou chikungunya).

 

Os resultados do estudo ressaltam que em pacientes com controle imunológico e virológico, a contagem de linfócitos T-CD4 e a carga viral não sofrem alterações meses após a infecção por zika.

 

Quanto ao diagnóstico diferencial, o médico destaca que além de arboviroses como dengue e chikungunya, outras doenças devem entrar no diagnóstico diferencial de zika, como rubéola, sarampo, parvovirose, viroses respiratórias com manifestação exantemática associada, riquetsioses, entre outras. Guilherme Calvet ressalta a importância de sempre se investigar a infecção por sífilis na população soropositiva para HIV, em função de alguns casos diagnosticados no estudo.

 

Ainda segundo o pesquisador, “quase a totalidade dos participantes do estudo fazia uso de tratamento antirretroviral e apresentava um excelente controle imunológico e virológico, traduzidos por altas contagens de linfócitos T-CD4 e carga viral indetectável para o HIV”. O grupo de pesquisa supõe que os resultados possam ser diferentes em pessoas com HIV cuja carga viral não esteja estável. Outros estudos devem ser realizados para avaliar se a coinfecção com zika pode evoluir de forma diferente em indivíduos com imunossupressão avançada.