Drª Tânia Laboratório Médico

1-Fevereiro-2018 Hora 17:20   Novo exame de sangue detectará 08 tipos de câncer com 70% de precisão

 

 

O método também foi testado em 812 pessoas que não estavam doentes, para verificar o número de alarmes falsos. Foram apenas sete enganos.

 

O câncer, antes mesmo dos primeiros sintomas, começa a deixar rastros no sangue. Eles podem ser pequenos pedaços de DNA mutante, flutuando em meio a glóbulos vermelhos e brancos. Também podem ser proteínas com uma sequência de aminoácidos peculiar, que só poderiam ter sido fabricadas pelas células de um tumor.

 

Cada tipo de câncer – há mais de cem deles – deixa um rastro de substâncias diferente, um conjunto único de pegadas no seu corpo. É como quando duas pessoas, uma de chinelo e outra de coturno, pisam no cimento fresco da calçada. Agora estamos no caminho de identificar essas pegadas com uma agulhada – ainda nos primeiro estágios do tumor, quando o estrago não é tão grande e o tratamento quase sempre funciona.

 

É essa a promessa de um novo tipo de exame de sangue, anunciado ontem (31/01) na Science. Quando aplicado a 1005 voluntários com câncer diagnosticado, identificou a doença e o órgão atingido em 70% dos casos – a taxa de sucesso variou entre 39% e 96% conforme o tipo. Tudo com um vidrinho do líquido, sem raio-x nem ressonância magnética. Entre os tipos testados, estão alguns dos mais comuns: mama, pulmão, ovário, fígado, estômago, pâncreas, esôfago e reto. O método também foi testado em 812 pessoas que não estavam doentes, para verificar o número de alarmes falsos. Foram apenas sete enganos.

 

É claro que ainda há muito a ser aperfeiçoado. A precisão cai para 40% quando são considerados apenas tumores no primeiro estágio de desenvolvimento. É justamente nessa fase, em que o câncer muitas vezes é assintomático, que o método seria mais valioso. Em uma situação ideal, pessoas aparentemente saudáveis poderiam identificar tumores em exames preventivos, desses rotineiros, que fazemos para medir colesterol – e tomar uma atitude enquanto ainda dá tempo.

 

Seja como for, agora que a ideia está lançada, fica mais fácil desenvolver versões mais eficientes do método – e também mais baratas, que poderão ser aplicadas a uma grande parcela da população. “Esse é um dos primeiros estudos a combinar biomarcadores proteicos e DNA de tumores circulando no sangue como ferramentas de diagnóstico”, afirmou ao The Guardian Chris Abbosh, do University College em Londres, que participou do estudo. “Também é um dos primeiros a aplicar essas ferramentas a vários tipos de câncer em um grande número de pacientes.” Atualmente, cinco dos nove tumores analisados não tem teste preventivos (no jargão técnico, rastreio ou screening) eficientes.