Diagnóstico e Saúde

26-Novembro-2016 Hora 11:20   Dengue, zika ou chikungunya: como diagnosticar com precisão?

 

 

Casos de dengue, zika e chikungunya devem aumentar no Brasil com a chegada do verão. Por serem causadas pelo mesmo transmissor e possuírem algumas semelhanças, é comum haver confusão na hora do diagnóstico, ainda mais em períodos endêmicos como os meses de dezembro a março.

 

Das três, a dengue é a mais conhecida e a que possui vacina. Já o chikungunya e o zika, com menos de dois anos de existência, ainda geram dúvidas em relação às formas de contágio, segundo Celso Granato, patologista clínico membro da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medina Laboratorial – SBPC/ML.

 

Ainda não existe um tratamento específico para nenhuma delas e a maior urgência do segmento, segundo Granato, é gerar educação para que os médicos saibam diagnosticar com maior precisão essas doenças, principalmente zika e chikungunya que não foram aprendidas na faculdade.

 

“Muitos não conhecem todas as ferramentas que os laboratórios disponibilizam para para auxiliá-los na confirmação do diagnóstico”, diz. Dessa forma, o papel dos profissionais do laboratório passa a ser fundamental para suportar as decisões do médico em relação ao cuidado do paciente.

 

Atualmente existem duas formas para o diagnóstico da dengue, zika e chikungunya: o exame de sorologia, também conhecido como indireto, e os testes moleculares, que são testes diretos.

 

Entre os testes indiretos a detecção de anticorpos pode ser feita por diferentes metodologias, tais como o ELISA, Imunofluorescência indireta ou Imunocromotografia (teste rápido). Nestes procedimentos, os anticorpos contra o vírus podem ser detectados após quatro dias de infecção. Porém, é importante ressaltar que as metodologias indiretas podem apresentar resultados falsos-positivos devido às reações cruzadas com outros vírus da mesma família, como é o caso do vírus da dengue e da febre amarela.

 

Por isso, é importante que na interpretação dos resultados seja levada em consideração a sensibilidade e especificidade do teste utilizado, seguindo os parâmetros relatados pelos fabricantes.

 

O patologista clínico esclarece, ainda, que o chikungunya não costuma ter reação cruzada com dengue e zika. “As três doenças são transmitidas pela picada do mosquito, mas o chikungunya é primo da rubéola”, ressalta.

 

Já os testes moleculares são testes diretos, também conhecidos como PCR (Polimerase-Chain-Reaction ou Reação em Cadeia da Polimerase) e detectam a presença do vírus no sangue ou na urina do paciente por meio do seu material genético. “O PCR é o teste com maior precisão, porém é mais restrito aos laboratórios de grande porte”, afirma Granato.

 

O teste sanguíneo é capaz de detectar a doença do vírus nos primeiros sete dias de infecção, caso isso não seja possível, o ideal é realizar o teste de sorologia. No caso específico do zika, o vírus pode ser detectado em amostras de urina, por PCR, por até 15 dias após a infecção. No entanto, o teste molecular negativo não exclui isoladamente a infecção, sendo necessário realizar a pesquisa de anticorpos no caso de suspeita clínica.

 

No caso das gestantes assintomáticas em relação às três doenças, a recomendação é realizar o teste sorológico. Se negativo, fica afastada a suspeita da infecção. As gestantes com sintomas devem seguir a mesma orientação das outras pessoas.

 

As grávidas precisam ficar atentas com relação ao zika, pois é a única que pode resultar em má formação para o bebê, alerta o patologista. Fora do contexto da gravidez, o zika já não é tão preocupante.

 

No caso da chikungunya, de 30% a 50% dos infectados têm chances de desenvolver uma artrite crônica, o que pode dificultar a mobilidade da pessoa por até dois anos.

 

A dengue é considerada a mais grave no quesito mortalidade, tendo matado 419 pessoas em 2016. Apesar de ainda ser um número elevado de casos registrados este ano, em torno de 1.399.480, o número de óbitos diminuiu 47% em relação a 2015 (789 mortes).

 

Pela complexidade da oferta dos exames, a SBPC/ML reforça a importância de que tanto a solicitação quando à interpretação dos exames sejam feitas por um médico habilitado e estejam de acordo com as normas regulatórias vigentes, e que os laboratórios sigam as normas de programas de qualidade laboratorial, como o PALC – Programa de Acreditação de Laboratórios Clínicos, da entidade.

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