Diagnóstico e Saúde

6-Outubro-2016 Hora 11:28   É possível otimizar a coleta de cortisol pós-insulina em crianças, conclui estudo.

 

 

Recentemente, a médica endocrinologista, Yolanda Schrank, apresentou o trabalho “Otimizando a coleta de cortisol pós insulina em crianças: quando e quantas vezes é de fato necessário coletar amostras para excluir o diagnóstico de insuficiência adrenal” em formato de pôster no 32º Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia.

 

Depois de analisar as informações dos exames feitos para investigação de insuficiência adrenal em 115 crianças nos últimos cinco anos, a médica teve como objetivo do estudo comprovar que é possível fazer a investigação da patologia em crianças com menos coletas e em tempo menor sem perda de precisão diagnóstica do teste.

 

“O principal benefício para o paciente é a otimização dos tempos de coleta, ou seja, oferecer mais conforto ao paciente, já que o nosso estudo mostrou ser possível coletar o sangue menos vezes e gerar menos custos para a realização do exame. Isso é um dado bastante relevante, principalmente pelo fato de estarmos lidando com crianças”, explicou Yolanda.

 

Yolanda Schrank trabalha há quase 20 anos realizando teste de estímulo hormonal, o que lhe permitiu adquirir grande experiência com este tipo de exame, tão comum na prática clínica, em especial, do endocrinologista. Os testes de estímulo hormonais são com frequência necessários para esclarecer, se de fato, há alguma disfunção hormonal, nem sempre evidente quando o hormônio é dosado em condições basais, sem estímulo.

 

“Analisando as várias solicitações médicas, em especial no que diz respeito aos testes que implicam na utilização de insulina para a geração do estímulo, chamava a atenção grande heterogeneidade nos tempos definidos para a coleta. O mesmo exame poderia durar desde 60 até 120 minutos, com um número de coleta que variava de 3 até 6, não raro gerando desconforto e custo adicional desnecessário ao paciente. Nosso grupo, atento a esta questão, resolveu então fazer um levantamento detalhado das respostas do cortisol ao estímulo com insulina, teste utilizado na investigação da insuficiência adrenal (deficiência na produção do cortisol)”, explicou a especialista.

 

Na conclusão do trabalho, foi observado que somente três coletas foram suficientes para afastar a presença da deficiência do cortisol em 94,8% dos pacientes. “Chegamos a esta conclusão analisando as respostas do cortisol após o estímulo com insulina em 115 crianças normais, submetidos a este teste no contexto da investigação de deficiência do hormônio do crescimento”, disse.

 

Este teste é utilizado na investigação da integridade do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, ou seja, ele tem indicação na suspeita de insuficiência adrenal. Na casuística, os autores destacaram que nenhum dos pacientes tinha suspeita clínica de insuficiência adrenal. Eles foram submetidos ao teste no contexto da avaliação concomitante do hormônio do crescimento em função de suposta baixa estatura.

 

O teste implica na dosagem basal do cortisol e glicose, seguida da aplicação intravenosa de insulina e nova dosagem de cortisol e glicose em tempos que variavam de acordo com o pedido médico. “Nossos resultados mostraram, entretanto, que a dosagem do cortisol no tempo basal, durante a hipoglicemia (documentada através da ocorrência de sintomas e/ou demonstração de glicemia capilar abaixo de 50 mg/dL) e 30 minutos após a ocorrência da hipoglicemia, foi suficiente para confirmar a integridade na produção do cortisol em 94,8% dos pacientes estudados. Desta forma recomendamos um exame com três coletas para a dosagem do cortisol e glicose (basal, durante a hipoglicemia e 30 minutos após a hipoglicemia) com duração média de 60 minutos quando o intuito é investigar a integridade na produção do cortisol”, concluiu.

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