Diagnóstico e Saúde

1-Setembro-2016 Hora 09:27   Teste epigenético identifica 87% dos cânceres de origem desconhecida.

 

 

Um estudo de pesquisa clínica, liderado pelo médico espanhol Manel Esteller, criou um teste epigenético de aplicação imediata que identifica 87% dos cânceres de origem desconhecida, o que permite prescrever tratamentos específicos e aumentar a sobrevivência do paciente.

 

Este avanço científico, publicado na revista Lancet Oncology, permitiu desenvolver e validar o primeiro teste de diagnóstico epigenético para pacientes com câncer de origem desconhecida – um tipo de câncer agressivo que gera metástases antes de o tumor primário aparecer, o que representa um passo fundamental para um tratamento direcionado.

 

O novo sistema de diagnóstico desenvolvido pela equipe de Esteller, diretor do Programa de Epigenética e Biologia do Câncer do Instituto de Pesquisa Biomédica de Bellvitge (IDIBELL), foi batizado de Epicup e será comercializado no mundo todo pela farmacêutica Ferrer.

 

A partir de amostras do paciente, este teste poderá determinar, em um prazo de entre cinco e dez dias, a origem do tumor.

 

Durante cinco anos, a equipe liderada por Esteller estudou marcadores de metilação do DNA de 38 tipos de tumor e suas correspondentes metástases com um banco de 10.500 amostras, obtidas em parceria com hospitais de todo o mundo.

 

“Se o oncologista consegue indicar a origem exata do tumor, pode estabelecer o tratamento específico, o que diminui a toxicidade e aumenta a sobrevivência”, destacou Esteller.

 

Nos pacientes diagnosticados com câncer, o mais comum é detectar o tumor primário ou original e a presença ou não de metástases. No entanto, entre 5% e 10% dos tumores humanos aparecem de outra forma, em que se diagnostica a metástase, mas o tumor primário não é detectado mesmo com vários testes, que até agora só conseguiam localizar no máximo 25% dos casos.

 

“Quando agora estudamos o DNA da metástase de um paciente com tumor de origem desconhecida, a fotografia de seu epigenoma pode nos dizer que pertence à família do câncer de pâncreas, de pulmão, de cólon, de mama…, ou seja, um diagnóstico da origem desse tumor”, apontou.

 

O estudo se baseou em dados de indivíduos com 63 anos em média, 56% de homens e 44% de mulheres, com prognósticos tumorais mais frequentes com origem no câncer de pulmão, cabeça e pescoço, de mama, cólon, fígado e pâncreas.

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