Diagnóstico e Saúde

30-Outubro-2015 Hora 18:51   Síndrome Periódica associada ao Mevalonato Quinase (Síndrome de Hiper IgD)

 

 

O aumento do nível do ácido mevalônico é comumente associado à acidúria mevalônica, uma doença de febre periódica hereditária, na qual os pacientes sofrem ataques repetidos de febre alta, com erupção cutânea, inchaço dos gânglios linfáticos no pescoço, vômitos, dores abdominais e diarreia.

 

Esta é uma doença rara. Foram identificados cerca de 200 pacientes no mundo todo. A maioria destes tem a variante moderada, conhecida como Síndrome do Hiper IgD, muito comum na Europa Ocidental, especialmente na Holanda, Bélgica e na França.

 

A doença é causada por um erro inato de metabolismo, ou seja, tem causa genética. O gene afetado é chamado de MVK. Cada gene contém as instruções de construção para uma proteína específica. O gene MVK contém as especificações para a proteína mevalonato quinase.

 

Esta proteína é um enzima, ou seja, uma proteína que facilita uma reação química no organismo. Neste caso a reação é de mevalonato para fosfomevalonato. É um passo inicial na produção de um arsenal de moléculas importantes no nosso organismo. Um exemplo bem conhecido destas moléculas é o colesterol.

 

Enzimas geneticamente defeituosas afetam o metabolismo do nosso organismo e doenças como esta são então conhecidas como erros inatos de metabolismo. A gravidade da doença está relacionada com o grau de deficiência de mevalonato quinase. Na variante moderada (SHID) a atividade do enzima é 1-10% do normal.

 

Esta é uma doença auto-inflamatória (ou seja a inflamação é desencadeada sem que a causa seja aparente). Apesar da investigação contínua, não se sabe como a deficiência de mevalonato quinase conduz à febre e inflamação. Durante os ataques há uma inflamação generalizada, ou seja, o organismo comporta-se como se estivesse reagindo contra uma infecção séria.

 

Este fato causa febre, perda de apetite e mal-estar, assim como um aumento dos glóbulos brancos do sangue, da velocidade de sedimentação e da Proteína C- Reativa (PCR) no sangue. Visto que não há nenhuma infecção que cause a inflamação, a esta doença é conhecida como uma doença auto-inflamatória.

 

Não se sabe como um defeito genético que está sempre presente conduz a uma doença que só se manifesta durante ataques de febre. Os ataques de febre podem ocorrer espontaneamente ou ser provocados por tensão emocional, infecções banais e - muito tipicamente - por vacinações na infância.

 

As mulheres afetadas podem ter ataques ativados pelo ciclo menstrual. Quando grávidas, tendem a ter menos sintomas.

 

Como na maioria dos genes humanos, duas cópias do gene MVK estão presentes em cada célula do corpo. Uma cópia é herdada da mãe, a outra cópia do pai. A febre periódica só surge quando ambos os genes de MVK forem defeituosos.

 

Isto é conhecido como hereditariedade autossômica recessiva, onde ambos os pais são portadores de um dos genes defeituosos. Considerando que eles também têm uma cópia normal do gene, eles são saudáveis. Um casal de portadores saudáveis pode passar os genes defeituosos para os seus filhos.

 

Toda criança nascida desse casal tem uma probabilidade de 50% de se tornar portador saudável e de 25% de ser afetado pela doença.

 

A menos que o paciente encontre um parceiro que seja portador do gene defeituoso, seus filhos serão portadores saudáveis. A probabilidade de ambos os parceiros de um par serem portadores de um gene defeituoso é maior quando eles forem familiares consanguíneos.

 

Ataques de febre, com duração de 3 a 7 dias, ocorrem periodicamente a em um ciclo de 2 a 12 semanas. Os ataques começam subitamente, frequentemente com arrepios de frio, frio, dedos dos pés e lábios pálidos ou mesmo azuis e às vezes surtos febris.

 

Dores de cabeça, dores abdominais, perda de apetite, e mal-estar são sintomas comuns. A maioria dos pacientes sente náuseas, vômitos e/ou diarreia.

 

Erupções cutâneas, úlceras dolorosas (aftas) na boca e dores articulares ocorrem, mas a característica mais notável é o inchaço dos gânglios linfáticos no pescoço (ou em outras partes do corpo).

 

Suspeita-se da doença com base em princípios clínicos. Embora também chamada Síndrome de Hiper IgD, a IgD pode ser normal, particularmente em crianças menores.

 

Pode-se chegar a este diagnóstico através um exame especial de urina (chamada cromatografia) feito durante um ataque febril. Em caso de doença a cromatografia mostra um aumento do nível de ácido mevalônico.

 

Este conduz a um teste especial de sangue, para medir a atividade da mevalonato quinase nas células sanguíneas. Para fins de investigação pode ser feito o estudo genético.

 

Exames laboratoriais mostram um aumento dos marcadores sanguíneos de inflamação (como a velocidade de hemossedimentação –VHS - e a proteína C- reativa) durante os ataques. Os níveis de IgD no soro (um tipo de imunoglobulina) são frequentemente elevados, embora possam ser normais na fase inicial da doença.

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