Diagnóstico e Saúde

25-Outubro-2014 Hora 11:27   Sífilis - Diagnóstico e Prevenção

 

 

Segundo a Organização Mundial de Saúde, a sífilis atinge hoje mais de 12 milhões de pessoas em todo o mundo e sua erradicação continua a ser um desafio para a Saúde Pública. Somente no Brasil são mais de 930 mil novos casos todos os anos.

 

A sífilis é uma doença infectocontagiosa e seus sintomas não provocam incômodo como no caso de outras doenças sexualmente transmissíveis. Ela é causada pela bactéria Treponema pallidum e não causa ardências, dor, nem corrimento. Depois da contaminação é comum surgir uma lesão indolor, nos órgãos genitais, denominada cancro duro. Se não tratada, a sífilis evolui e pode atingir praticamente todos os órgãos do corpo.

 

A sífilis pode ser transmitida principalmente de duas formas: sexual (sem uso de camisinha) e vertical (de mãe para filho durante a gravidez). As formas de prevenção são o uso de preservativos em todas as relações sexuais e no caso da transmissão vertical, através do tratamento da mãe.

 

Para saber um pouco mais sobre essa importante moléstia trouxemos a palavra do Dr. Jaime Rocha, especialista em Clínica Médica pela SBCM e em Infectologia pela SBI. Confira:

 

Segundo a OMS, a sífilis atinge mais de 12 milhões de pessoas em todo o mundo e sua erradicação continua a ser um desafio. O senhor acredita que campanhas como o Dia Nacional de Combate à Sífilis sejam efetivas? O que precisaria ser feito ainda para o esclarecimento da gravidade dessa doença?

Dr. Jaime Rocha - Toda campanha de conscientização é uma etapa importante para o enfrentamento de doenças e problemas de saúde pública. Enquanto não existe uma consciência do tamanho do problema, dificilmente há engajamento de todos. Não há um modelo de combate contra sífilis que não passe por educação continuada. Esta DST merece maior divulgação, pois as pessoas acreditavam ser um problema resolvido.

 

Em termos de Saúde Pública, quais as principais implicações da sífilis para a população?

Dr. Jaime Rocha - Entre as principais implicações, destaco: doença com alta transmissibilidade; doença com evolução silenciosa e crônica em vários momentos; risco de complicações neurológicas para quem não faz diagnóstico e tratamento nas fases iniciais; risco da doença ser transmitida verticalmente (da mulher grávida para criança), com graves consequências.

 

Como é feito normalmente o diagnóstico de sífilis e o que há de novo nesse campo?

Dr. Jaime Rocha - No quadro agudo, que é caracterizado pelo cancro (úlcera) da sífilis, o diagnóstico pode ser suspeitado pela avaliação médica da característica da lesão. Entretanto, o diagnóstico é confirmado com exames de sangue que pesquisam anticorpos contra a doença, apontando sua presença e atividade. A primeira categoria são os não-treponêmicos, em que os mais comumente usados são os VDRL (Venerial Disease Research Laboratory) e o RPR (Rapid Plasma Reagin) para o screeming rotineiro, valioso para estabelecer o diagnóstico por ser expresso quantitativamente e que, quando positivo, pode ser usado para avaliar a eficácia do tratamento.

Estes testes tornam-se positivos após quatro a seis semanas da infecção ou uma a três semanas do aparecimento da lesão primária (cancro). São quase invariavelmente positivos, mas não são altamente específicos, podendo ser encontrados em doenças causadas por outros treponemas e agentes infecciosos como malária, mononucleose infecciosa e lepra, doenças do tecido conjuntivo, autoimunes, hepatite C, gravidez e em idosos.

A segunda categoria são os testes treponêmicos, nos quais o antígeno é o próprio treponema ou suas proteínas, com os quais reagem os anticorpos. São eles: o TPHA (hemaglutinação) e o FTA-abs (atualmente pouco utilizado pela sua complexidade). Os testes de enzimaimunoensaio, que por serem altamente sensíveis, específicos e automatizados são mais reprodutíveis. Eles já são exames antigos e o que há de novo é que os laboratórios estão reformulando o fluxograma dos testes de sífilis, realizando os dois tipos de exame simultaneamente, aumentando as chances de diagnóstico precoce.

 

Qual a abordagem para sífilis congênita? Quais as chances de o bebê contrair a doença quando a mãe estiver infectada?

Dr. Jaime Rocha - De uma forma ideal, todas as mulheres, antes de engravidar, deveriam fazer o exame e realizar o tratamento em caso de diagnóstico. Como não é habitual que este exame seja feito antes da concepção, é fundamental que toda mulher grávida realize exames para diagnóstico de sífilis em diferentes momentos, desde o início da gravidez. O tratamento é altamente efetivo mas, se não for feito ou for feito de forma inadequada, as chances de o bebê contrair a doença são altíssimas e poderão gerar sequelas terríveis, mesmo com tratamento adequado neste momento.

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