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3-Maio-2019 Hora 18:30   Teste de sangue aumenta precisão no diagnóstico da fibromialgia


 

 

Uso de espectroscopia vibracional permite diferenciar a doença de outras condições relacionadas.

 

A fibromialgia afeta de 2% a 8% da população mundial — na maioria, mulheres — e tem como principal característica dor crônica em todo o corpo. A dificuldade de obter um diagnóstico preciso é que muitos indivíduos com essa condição também apresentam alguns sintomas semelhantes aos de outras doenças, como artrite reumatoide, osteoartrite e lúpus eritematoso sistêmico.

 

Mas esta situação pode estar com os dias contados, como sugere um estudo realizado na faculdade de medicina da Ohio State University – OSU (EUA). Os pesquisadores utilizaram a técnica de espectrometria vibracional na análise de amostras de sangue e conseguiram identificar marcadores específicos de fibromialgia, que permitem diferenciá-la das outras três doenças.

 

“Esses biomarcadores são como ‘impressões digitais metabólicas’ e também têm o potencial de determinar a gravidade da fibromialgia em um determinado paciente, o que pode ajudar a desenvolver tratamentos direcionados”, diz Kevin Hackshaw, professor de medicina da OSU que liderou o estudo.

 

Foram coletadas amostras de 50 pacientes com diagnóstico formal de fibromialgia, 29 com artrite reumatoide, 19 com osteoartrite e 23 com lúpus. O material foi submetido a espectrometria de infravermelho com transformada de Fourier (FT-IR), microespectroscopia de FT-Raman e análise metabolômica por cromatografia líquida de ultra eficiência (UPLC), acoplado a um arranjo de fotodiodos (PDA), e a espectrometria de massa em tandem (MS/MS).

 

Em primeiro lugar, foram analisadas amostras de alguns pacientes que já se sabia que apresentavam as diferentes doenças para estabelecer um padrão básico para cada uma. Depois, testaram as demais amostras cegamente, sem conhecer o diagnóstico. Os resultados foram comparados com os padrões e confirmaram os marcadores específicos para fibromialgia.

 

“Encontramos padrões metabólicos claros e reprodutíveis nas amostras desses pacientes, o que nos deixa muito perto de um exame de sangue para essa doença”, comemora Luis Rodriguez-Saona, também professor da OSU e coautor do estudo.

 

Ele acrescenta que o próximo passo é examinar de 150 a 200 indivíduos por grupo de doença para verificar se essa descoberta pode ser reproduzida em uma população maior e mais diversificada. O trabalho foi publicado em Journal of Biological Chemistry.

 

Kevin Hackshaw  diz que, nos Estados Unidos, de cada quatro pessoas com fibromialgia, três não recebem um diagnóstico preciso, e quando finalmente sabem, já se passaram em média cinco anos entre o início dos sintomas e o diagnóstico.

 

Além de dor e rigidez em todo o corpo, a fibromialgia pode provocar fadiga, depressão, ansiedade, dor de cabeça e dificuldade de memória e de concentração.

 

“A descoberta pode significar uma importante reviravolta nos cuidados de pessoas que apresentam uma doença ainda sem cura e que frequentemente é diagnosticada erroneamente ou não se consegue diagnosticá-la”, afirma Hackshaw.

 

Segundo ele, os médicos atualmente se baseiam nas informações relatadas pelo paciente sobre vários sintomas, na avaliação da dor física, concentrando-se em pontos específicos, e na exclusão de outras doenças, inclusive na possibilidade de alguns sintomas serem reais ou imaginados.

 

“Para muitos indivíduos sem diagnóstico são prescritos opioides. Nos EUA, vemos em tratamentos de dor crônica que 40% dos pacientes que fazem uso desses analgésicos fortes e viciantes atendem aos critérios diagnósticos para fibromialgia, mas isso não melhora a doença”, acrescenta Hackshaw.

 

“Se pudermos ajudar a acelerar o diagnóstico para esses pacientes, poderemos oferecer-lhes um tratamento mais adequado para que tenham melhor qualidade de vida. É muito ruim estar em uma área ‘cinzenta’ onde você não sabe qual doença tem”, destaca Rodriguez-Saona.

 

Qualquer sistema, inclusive os biológicos, que contenha átomos ligados entre si caracteriza-se por apresentar movimentos vibratórios. A espectroscopia vibracional mede os níveis de energia das moléculas e das ligações químicas.

 

Essa técnica vem sendo utilizada cada vez mais nas indústrias química, petroquímica, farmacêutica, alimentícia, cosmética e agrícola, em substituição a outros métodos analíticos como cromatografia gasosa, cromatografia líquida de alta eficiência, ressonância magnética nuclear, espectrometria de massas e procedimentos de controle de temperatura, pressão, pH, peso e dosagem.

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