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12-Janeiro-2019 Hora 09:21   Sociedade Brasileira de Hansenologia lança a campanha "Todos contra a Hanseníase".


 

 

O Brasil começa o terceiro Janeiro Roxo, mês de conscientização sobre a hanseníase. Seguindo a tradição dos meses de conscientização sobre saúde, em 2016 o Ministério da Saúde oficializou o mês e adotou a cor roxa. E a Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH) lançou a campanha nacional e permanente “Todos Contra a Hanseníase”.

 

A doença coloca o Brasil em segundo lugar no ranking dos países com mais casos – ficando atrás da Índia. E a falta de informação – inclusive por parte de profissionais de saúde, alerta a SBH – é mais um dos problemas que dificultam o controle da hanseníase no Brasil. A SBH tem discutido o assunto com sociedades médicas e universidades.

 

Por ano, são diagnosticados perto de 30.000 casos novos de hanseníase. Mas A SBH alerta para uma endemia oculta da doença e estima que o Brasil tenha entre 3 e 5 vezes mais casos do que apontam os dados oficiais da doença. “A hanseníase não é doença de uma pessoa só. Dentre as estratégias de enfrentamento está a avaliação das pessoas que são contatos dos pacientes. E esta estratégia é falha no Brasil”, alerta o presidente da SBH, Claudio Salgado.

 

Soma-se a isso, o preconceito também endêmico na sociedade. “São editais para contratação de profissionais das mais diversas áreas destacando a hanseníase como item de desclassificação; educadores que não aceitam alunos diagnosticados com hanseníase, sendo que justamente os diagnosticados estão em tratamento e, em tratamento, não transmitem a doença; governos ‘desdiagnosticando’ casos para não exporem a alta endemicidade em suas regiões, impedindo o acesso de pacientes ao tratamento; médicos e profissionais de saúde sem o preparo adequado porque universidades consideram a doença controlada e a hanseníase foi praticamente eliminada dos currículos; pacientes diagnosticados depois de vários anos sem serem percebidos no sistema de saúde; profissionais de saúde duvidando do diagnóstico de hanseníase por não acreditarem que a doença exista; grande número de casos em crianças e alto índice de pessoas diagnosticadas com sequelas incapacitantes e irreversíveis, tratando há muitos anos de outras doenças”, explica Salgado.

 

A hanseníase é transmitida por um bacilo através de contato próximo e prolongado entre as pessoas. Daí a relação entre a doença e a miséria. Porém, também é alto também o número de casos entre a população de centros urbanizados com desenvolvida infraestrutura sanitária.

 

O bacilo ataca os nervos e o paciente pode perder ou ter diminuição da sensibilidade à dor, ao toque, ao frio e calor, além de apresentar manchas esbranquiçadas ou avermelhadas na pele.

 

Exames de laboratório não conseguem identificar todos os casos; é preciso muito preparo do médico para diagnosticar a hanseníase. Por isso, é alto o número de doentes que recebem o diagnóstico apenas quando as sequelas são visíveis, irreversíveis e incapacitantes. O tratamento é gratuito em todo o Brasil e a doença tem cura.

 

A SBH está preocupada com o alto índice de recidivas (volta da doença tempos depois que o paciente recebeu alta) e falências de tratamento (paciente ainda apresenta bacilos vivos, mesmo ao final do tratamento). O tratamento no Brasil é feito à base de antibióticos utilizados há 40 anos.

 

A doença é tratada em 6 meses para pacientes com poucos bacilos e 12 meses para pacientes com muitos bacilos. Mas há muitos casos de pacientes com alta carga de bacilos vivos mesmo após 24 meses de tratamento, “o que prova a resistência que o bacilo da hanseníase apresenta no Brasil após 40 anos de uso dos mesmos antibióticos”, denuncia o presidente da SBH.

 

Não bastasse a necessidade de adoção de drogas mais modernas, encontra-se em fase final a implantação, pelo Ministério da Saúde, um esquema de tratamento encurtado para apenas 6 meses para todos os casos de hanseníase, chamado de MDT-U (Multidroga Terapia – Esquema Único).

 

“Não há base científica para isso, a Organização Mundial da Saúde não recomenda o MDT-U em suas diretrizes e há posicionamentos de especialistas brasileiros e estrangeiros alertando para o perigo de o MDT-U mascarar a endemia e agravar o problema”, critica Claudio Salgado.

 

Nesta questão, a SBH recebeu apoio de várias sociedades médicas brasileiras, incluindo a Associação Médica Brasileira e sociedades estrangeiras. Ressalte-se que este esquema, se implantado, será realizado exclusivamente no Brasil, já que a OMS é contra a implantação do MDT-U.

 

Segundo a SBH, o Brasil deveria focar esforços no sentido de enfrentar efetivamente a doença. “É preciso capacitar agentes comunitários de saúde a médicos, educadores, famílias e autoridades brasileiras. Precisamos de uma política legítima para o problema. O Brasil tem especialistas renomados mundialmente, tem centros e hospitais altamente especializados e é urgente que o governo brasileiro pense o problema como questão de desenvolvimento nacional e respeito aos doentes”, ressalta o presidente da SBH.

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