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13-Janeiro-2018 Hora 11:46   Diagnóstico da Febre Amarela é um desafio para médicos.


 

 

O Governo de Minas Gerais confirmou, nesta quarta-feira (10/01/18), seis mortes por febre amarela no Estado – sendo cinco novos casos nesta semana e dois deles em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O balanço leva em consideração os óbitos ocorridos de julho de 2017 até agora.

 

Por estar a febre amarela urbana erradicada no país desde 1942, o diagnóstico da doença suscitou um grande problema no setor de saúde brasileiro, que é o diagnóstico clínico-laboratorial. “A maior parte dos médicos e profissionais de saúde nunca chegaram a cuidar sequer de um caso da doença. E isso torna bastante complexo para a equipe de saúde conduzir os melhores procedimentos para o diagnóstico e o tratamento da enfermidade. Prova disso é o grande número de casos considerados prováveis”, ressalta a médica patologista clínica Luisane Vieira.

 

De acordo com a médica, o quadro clínico típico da febre amarela caracteriza-se por um período de início súbito de febre, calafrios, cefaléia, prostração, dores musculares, náuseas e vômitos. Muito semelhante, portanto, a outras arboviroses em atividade (como a dengue e a zika). Em sua forma leve, ela é autolimitada, mas em cerca de 15% dos casos pode ocorrer uma evolução para maior gravidade, com lesões do fígado e dos rins e possibilidade de óbito.

 

O diagnóstico laboratorial sorológico de triagem se baseia na detecção de anticorpos do tipo IgM e IgG, contra o vírus. Exames confirmatórios ou definitivos se baseiam no isolamento do vírus ou na detecção da sua molécula de RNA. O isolamento do vírus pode partir de amostras de sangue ou de tecido hepático ou ainda por detecção de seu antígeno em tecidos do corpo. Técnicas de biologia molecular para detecção de antígenos virais ou de ácido nucleico viral, embora não utilizadas na rotina, são bastante sensíveis e específicas.

 

A demora em suspeitar de febre amarela pode levar a uma demora prejudicial ao tratamento correto.

 

Apesar do crescente número de casos, o motivo do reaparecimento da doença ainda é uma incógnita. Para alguns especialistas, um possível componente do ressurgimento desta virose silvestre está relacionado ao desequilíbrio ecológico ocorrido após a recente catástrofe ambiental de Mariana, o que ainda permanece objeto de estudos e pesquisas. “É importante uma ampla mobilização em torno do problema, com fortes trabalhos de conscientização e esclarecimentos não só à população, mas também aos médicos e profissionais da saúde”, destaca Luisane.

 

Por ser uma doença de difícil diagnóstico, a médica alerta para a importância da vacinação.

2018-01-13

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