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17-Julho-2019 Hora 11:37   Teste de Sangue Identifica Marcador para Síndrome da Fadiga Crônica


 

 

Método usa tecnologia nanoeletrônica e de microfluidos que mede alterações de sinais elétricos produzidos na amostra

 

Pesquisadores da Escola de Medicina das universidades de Stanford e da Califórnia (EUA) desenvolveram um teste de sangue que identifica marcadores de Síndrome da Fadiga Crônica (SFC), também chamada Encefalite Miálgica (EM). Nessa técnica é usado um chip fabricado com tecnologia de microfluidos e nanoeletrônica que possui minúsculos eletrodos e câmaras que capturam a amostra do paciente.

 

A SFC é uma doença que atinge, somente nos EUA, cerca de 2 milhões de pessoas. O sintoma principal é fadiga intensa, que pode piorar com atividade física ou mental e não melhora com repouso. O paciente sente-se cansado o tempo todo, sem uma causa aparente. Algumas vezes, é considerado um problema de fundo psicológico, mas esta visão tem se modificado nos últimos anos devido a estudos realizados.

 

Por se tratar de uma síndrome, ela reúne uma série de sintomas ou sinais, como dor no peito ou no abdômen, tosse crônica, tontura, irritabilidade, depressão, ansiedade, dificuldades com a memória e a concentração.

 

O diagnóstico geralmente é obtido pelo histórico clínico e exames para afastar a possibilidade de outras doenças como, por exemplo, depressão, apneia do sono e hipotireoidismo.

 

“Muitas vezes, esta doença é classificada como imaginária. Quando o indivíduo com fadiga crônica procura um médico, ele pode passar por uma série de exames que verificam as funções hepática, renal e cardíaca, além da contagem de células sanguíneas e imunológicas”, diz Ron Davis, PhD, professor de bioquímica e genética em Stanford e coautor do estudo. Segundo ele, se o paciente sofre de SFC, os resultados dos exames são normais e volta-se ao ponto de partida.

 

Na técnica desenvolvida pela equipe é avaliada a resposta das células do sistema imune e do plasma ao estresse provocado por uma corrente elétrica aplicada na amostra.

 

Quando a corrente é gerada, as células e o plasma modificam seu fluxo dentro das câmaras, o que é representado por variações nos sinais elétricos. Segundo os pesquisadores, a intensidade dessas alterações está diretamente relacionada à “saúde” da amostra. Mudanças muito grandes significam que as células e o plasma estão se debatendo intensamente e não conseguem processar o estresse de forma adequada.

 

O estudo foi realizado com amostras de 40 pessoas — 20 com diagnóstico confirmado de SFC e 20 saudáveis, usadas como controle. Nos testes, todas as amostras de sangue de pacientes com SFC apresentaram um aumento considerável nos níveis de eletricidade, com resultados precisos, enquanto nos controles elas permaneceram equilibradas.

 

“Não sabemos exatamente por que as células e o plasma reagem dessa maneira, mas esse método apresenta evidências de que esta doença não é uma invenção da mente. Podemos ver claramente como as células do sistema imunológico processam o estresse nos indivíduos com síndrome da fadiga crônica e naqueles que estão saudáveis”, explica Davis.

 

A equipe também está usando a técnica para ajudar a identificar medicamentos que possam tratar a SFC, pois atualmente há poucas opções disponíveis.

 

“Com essa plataforma de nanoeletrônica podemos adicionar doses controladas de medicamentos potencialmente terapêuticos às amostras de sangue de pacientes com diagnóstico confirmado de SFC e submetê-las ao teste”, diz Rahim Esfandyarpour, PhD, coautor e professor assistente na Universidade da Califórnia em Irvine.

 

Se as amostras ainda respondem mal ao estresse e geram um pico de corrente elétrica, é sinal que a droga provavelmente não funcionou. Mas se não há modificações consideráveis nos sinais elétricos encontrados, pode significar que o medicamento está ajudando as células do sistema imune e o plasma a suportarem o estresse.

 

O estudo foi publicado no periódico Proceedings of National Academy of Sciences.

 

Um estudo publicado em dezembro de 2018, na revista Psychoneuroendocrinology, por pesquisadores do Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociências do Colégio Real de Londres (Reino Unido), reforça o papel do sistema imunológico em um possível início da SFC.

 

A pesquisa se baseou em um tratamento para hepatite C que utiliza interferon-alfa, droga que ativa o sistema imune da mesma forma como ocorre em uma infecção forte. É comum que os pacientes apresentem fadiga intensa enquanto usam esse medicamento. Em alguns casos, essa condição permanece por mais de seis meses depois que termina o tratamento.

 

Nesse estudo, os pesquisadores mediram a fadiga e os marcadores do sistema imunológico em 55 pacientes antes, durante e após o tratamento com interferon-alfa, e rastrearam quais apresentaram sintomas semelhantes aos da SFC.

 

Foram encontradas diferenças imunológicas em 18 pessoas que desenvolveram fadiga de grande duração, em comparação com aquelas que se recuperaram normalmente. No primeiro grupo, o sistema imune se comportou de forma hiperativa durante o uso do interferon-alfa, com duplicação dos níveis das moléculas imunológicas “mensageiras” interleucina-10 e interleucina-6.

 

Segundo os autores, em pessoas com um sistema imunológico hiperativo, este responde de forma exagerada sob certas condições e atua como um gatilho para desencadear uma fadiga de longa duração que pode resultar no surgimento da SFC.

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