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23-Novembro-2018 Hora 17:34   Brasil vai registrar seis mil novos casos de câncer de pênis até o final de 2018


 

 

Doença está relacionada com HPV e pode causar amputação. No país, cerca de mil órgãos sexuais masculinos são amputados todos os anos.

 

Em novembro, mês da saúde do homem, é importante lembrar de uma doença que, apesar de pouco comentada e rara, é perigosa: o câncer de pênis. Até o final de 2018, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o Brasil terá cerca de seis mil novos casos – 2% do total de tumores que vão atingir pessoas do sexo masculino.

 

Falta de higiene, idade avançada, fimose e baixas condições socioeconômicas estão relacionadas à doença. Mas, segundo a literatura médica, outro fator também contribui para o seu surgimento: o papilomavírus humano (HPV), uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) cuja transmissão ocorre por meio do contato direto com a pele ou a mucosa infectada.

 

“O HPV tem uma média de associação de 30% a 40% com o câncer peniano, em especial os tipos 16 e 18 (o vírus tem 150 variações)”, diz Newton Sérgio de Carvalho, professor de ginecologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que fez uma revisão sobre o tema, publicada em 2008 no Jornal Brasileiro de Doenças Sexualmente Transmissíveis.

 

De acordo com Carvalho, a pessoa diagnosticada com os tipos 16 e 18 do vírus apresenta mais chances de desenvolver câncer, não só no pênis, mas também em outras partes do corpo. “Importante ressaltar, no entanto, que a contaminação tem que estar associada a mais fatores, como a associação do HPV com ISTs, a exemplo da clamídia”, reforça o médico.

 

O Brasil, segundo o artigo Updates on the epidemiology and risk factors for penile cancer, publicado em 2017 na National Library of Medicine, está entre os países com o maior número de casos de câncer de pênis associados ao HPV, ao lado da Índia e de nações africanas.

 

Segundo Carvalho, o dado serve como alerta, pois, de acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, mil órgãos sexuais masculinos são amputados todos os anos por aqui, em decorrência da doença. “Algo que poderia ser evitado com medidas preventivas, já que a amputação é necessária apenas em casos avançados”, diz o professor.

 

A infecção por um determinado tipo de HPV não exclui os outros. As chamadas coinfecções podem acontecer e apresentar dois ou mais tipos do vírus ao mesmo tempo. A importância do diagnóstico molecular se dá pelo fato de que alguns tipos de HPV estão relacionados a lesões que progridem para o câncer, e os diferentes tipos possuem sítios de infecção distintos.

 

A genotipagem identifica os subtipos de HPV, permitindo um monitoramento adequado dos indivíduos com maior risco a desenvolverem cânceres e, assim, possibilita uma abordagem mais precisa e personalizada para prevenir a progressão da doença. Além disso, a genotipagem diferencia o tratamento no caso de pessoas com outras infecções por HPV oncogênicas menos agressiva.

 

A principal e mais eficaz forma de prevenção do HPV, segundo o Ministério da Saúde, é a vacinação. Ela é distribuída gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para meninos de 11 a 14 anos, meninas de 9 a 14 anos, pessoas que vivem com HIV e aquelas com idade entre 9 a 26 anos que receberam transplante. Os adultos fora dessas faixas podem adquirir a vacina na rede privada.

 

Além da vacina contra o HPV, outras medidas também são necessárias para prevenir o câncer peniano. O INCA sugere limpeza diária do órgão masculino com água e sabão, principalmente após as relações sexuais e a masturbação, e cirurgia de fimose, pois a pele de prepúcio é estreita ou pouco elástica e impede a exposição da cabeça do pênis, dificultando a limpeza adequada e a utilização do preservativo.

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